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Pearl Jam não esquece o desastre ambiental em Mariana durante o show


“Acidentes tiram vidas e destroem rios. E ainda assim eles conseguiram lucrar", disse Vedder durante o show 
 









Na metade do show, o líder do Pearl Jam foi incisivo em um português dificultoso, embora o recado para as empresas Samarco/Vale/BHP tenha sido direto.

Apesar da chuva que só foi dar trégua no meio do show, o Pearl Jam fez o que sabe fazer muito bem até hoje, desde os anos 1990, sem sem engolido pela síndrome de dinossauros da música. Foi uma digna banda de rock. Dispensando fogos de artifício explodindo no céu, mas tratando os 42 mil ensandecidos no Mineirão como um vulcão humano, a banda de Seattle tocou pela primeira vez na capital mineira na noite de anteontem (20). Apesar de ter entrado no palco às 20h50, com quase meia hora de atraso, o último grande grupo de grunge do mundo fez jus à fama de banda militante social e ambiental e foi muito além da música.


Uma das grandes expectativas do público era que Eddie Vedder se posicionasse diante ao crime ambiental e humano cometido em Bento Rodrigues, distrito de Marina. Na metade do show, o frontman do Pearl Jam foi incisivo em um português dificultoso, embora o recado para as empresas Samarco/Vale/BHP tenha sido direto, ainda que ele não tenha citado as mineradoras.


"É duro quando grandes empresas usam e abusam de terras apenas para lucrar sem nenhum respeito pelo meio ambiente. Acidentes tiram vidas, destroem rios e, ainda assim, eles conseguem lucrar. Esperamos que eles sejam punidos, duramente punidos e cada vez mais punidos para que nunca esqueçam o triste desastre causado por eles", disse Vedder, se esforçando para entender o discurso lido de um papel em suas mãos e escrito em português, mas sendo ovacionado pela plateia.


Eddie, aliás, se mostrou o tempo inteiro muito à vontade, como um legítimo grunge que chegou aos 50 anos praticamente como um adolescente. Bateu cabelo, pulou sem parar e, completamente exausto, jogou o microfone no meio da galera, sem qualquer receio ou pudor, incentivando o público a berrar.


No set list de surpresinhas da banda, havia constado até aqui uma coletânea de canções símbolo de engajamentos diversos, como narram as referências espirituais e musicais de "Baba O'Riley", de Pete Townshen, ou "Imagine", de John Lennon, que dispensa traduções, sendo dedicada a Paris em São Paulo, e repetindo a mesma homenagem em Belo Horizonte.


"Release", "Jeremy", "Porch" e "Even" Flow fizeram parte das pedradas vindas do clássico "Ten" (1991); enquanto a acelerada "Lightning Bolt" junto com a balada "Sirens" foram cartões de visita da safra mais recente da banda, levantando coro generalizado dos fãs, e botando a prova como o Pearl Jam chega aos 25 anos de idade em plena forma, sem estar preso à uma história passada ou hits envelhecidos.


A cereja do bolo do show, porém, foi "Black", talvez a canção mais linda da banda de Seattle -- e só interpretada na capital mineira nesta turnê da América Latina, que segue agora para shows no Rio de Janeiro (22), Bogotá (25) e Cidade do México (28).


Eddie Vedder (vocal e guitarra), Jeff Ament (baixista), Stone Gossard e McCready (guitarras) e Matt Cameron (bateria) seguem provando que formam um dos maiores grupos de rock do mundo ainda na ativa, fazendo três horas de show com um gás que certamente deve invejar bandas bem mais jovens.






Alex F. Kegler

Ama música, fotografia, possui cinco projetos musicais, rádio web e administra o canalelectrorocknews.com ... www.alexkegler.wix.com/alexfkegler

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